Museu do Ipiranga reabre com projeto de restauro selecionado em concurso – CAU/SP

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Museu do Ipiranga reabre com projeto de restauro selecionado em concurso

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05.09.2022

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Redação CAU/SP

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Museu do Ipiranga reabre com projeto de restauro selecionado em concurso

Inaugurado em 1895, o Museu do Ipiranga, edifício monumental projetado pelo arquiteto italiano Tommaso Gaudencio Bezzi para marcar o sítio onde o príncipe regente D. Pedro proferiu a famosa expressão “É tempo! Independência ou Morte”, declarando a emancipação do Brasil do reino português, será reaberto ao público neste 7 de setembro em comemoração ao Bicentenário da Independência.

O edifício esteve fechado por nove anos para que fosse viabilizada e concebida uma das maiores obras de restauro realizadas no país, a revitalização e ampliação de um dos patrimônios tombados (nas três esferas governamentais) mais importantes do Brasil.

O projeto de revitalização esteve a cargo do escritório H+F Arquitetos, liderado pelos arquitetos Eduardo Ferroni e Pablo Hereñú.

O trabalho deles foi o vencedor Concurso Nacional de Arquitetura para o Restauro e Modernização do Edifício-Monumento do Museu do Ipiranga promovido pela Universidade de São Paulo em 2017. (Veja mais abaixo os nomes dos demais participantes da equipe).

Museu do Ipiranga - fachada norte
Fachada norte
Museu do Ipiranga - fachada sul
Fachada sul

Foram investidos R$ 235 milhões, incluindo o restauro do jardim francês, das pontes e a recuperação do entorno.

A ampliação acrescentou uma nova área de 6.800 m², o que possibilitará à instituição receber um público acima 500 mil visitantes por ano, quase dobrando a média anterior à reforma.
O projeto prevê acessibilidade universal.

A cerimônia de abertura do museu (também conhecido como Museu da Independência, mas cujo nome oficial é Museu Paulista), exclusiva para convidados, autoridades e patrocinadores, será realizada dia 6.

No dia 7, as portas serão franqueadas aos primeiros visitantes: trabalhadores da obra e seus familiares. Para o público em geral, a entrada será gratuita nos dois primeiros meses, mediante reserva antecipada de ingressos.

O museu reabre com um novo um projeto expográfico coordenado pela Metrópole Arquitetos, sob responsabilidade das arquitetas Ana Paula Pontes e Anna Helena Villela.

Projeto de restauro e modernização
Na competição arquitetônica, o júri avaliou aspectos como racionalidade, funcionalidade e exequibilidade técnica; respeito às características materiais, estruturais, composição e documentais do edifício; criatividade, solução estética e inovação do projeto; atendimento às especificidades do uso e das soluções de circulação e acessibilidade; e adoção de critérios e soluções de projeto para a sustentabilidade ambiental.

As intervenções propostas pelo escritório H+F Arquitetos procuraram interferir o mínimo possível na volumetria do histórico edifício.

O projeto buscou respeitar a presença do prédio na paisagem paulistana. Ao mesmo tempo, transformou o espaço interno, adequando-o para as necessidades de um museu contemporâneo, mas utilizando poucos elementos novos, de maneira a valorizar seu acervo de mais de 100 mil peças, entre obras de arte, mobiliário, livros e diversos objetos historicamente relevantes.

A ampliação foi concebida não como um anexo ou apêndice mas como um prolongamento subterrâneo do edifício, conectando o Museu ao Parque de uma forma mais potente, configurando uma nova esplanada de acesso. O novo setor de acolhimento está localizado nesta área.

Resumo geral das propostas de intervenções

As principais ações destinadas à modernização e adequação funcional do edifício foram agrupadas em uma única intervenção: a inserção de uma torre infraestrutural (escada protegida, elevadores, conjuntos de sanitários, shafts de instalações e áreas técnicas) no interior da porção sul de seu corpo central, área já bastante descaracterizada e ocupada por funções de natureza similar.

O espaço vazio localizado no interior do coroamento da torre central foi reconfigurado com a construção de uma cobertura de vidro para as claraboias centrais e a inserção de um volume que abriga uma nova sala expositiva e cria um mirante ao ar livre em sua cobertura. Todos os elementos estruturais da cobertura original foram preservados e recuperados.

 

Este vídeo é o episódio 9 do Diário do Novo Museu do Ipiranga, sobre o processo de retirada e recolocação das pedras que formam a escadaria da entrada; também aborda o restauro das fontes e do Jardim Francês, e traz detalhes sobre os recursos de acessibilidade.

Liderada por Eduardo Ferroni e Pablo Hereñú, a equipe responsável pelo projeto vencedor do concurso de 2017 é composta por Amanda Domingues, Anna Beatriz Ayroza Galvão, Camila Paim, Carolina Klocker, Griselda Kluppel, João Pedro Sommacal De Mello, Joséphine Poirot-Delpech, Levy Vitorino, Michele Meneses de Amorim. Olympio Augusto Ribeiro.

Atuaram como consultores Arnaldo Ramoska (Instalações), Eduardo Léo Kayano (Climatização), Heloísa Maringoni (Estruturas), Marcos Lima Verde Guimarães (Geotecnia), Nilton Miranda (Bombeiros) e Ricardo Heder (Iluminação).

Clique no link para conhecer o projeto arquitetônico e de restauro

Projeto de expografia
O Projeto Executivo de Expografia para novo Museu Ipiranga contempla onze exposições de longa duração de cinco a três anos, organizadas em dois eixos curatoriais: Eixo 1 – Para Entender a Sociedade e do Eixo 2 – Para entender o Museu, área expositiva total de 2.259,11m². E a exposição temporária Memórias da Independência com área de 771m2.

Coordenada pela arquitetas Ana Paula Pontes e Anna Helena Villela, a equipe responsável foi composta também por Aline Zorzo, Joséphine Poirot-Delpech, Bruna Caracciolo, Mayra Rodrigues e Lia Soares.

Clique nos links abaixo para conhecer detalhes do Projeto:

Apresentação

Memorial Descritivo

Trajetória do edifício
Conforme artigo publicado pela Revista Restauro (v.4, n.7, 2020), o monumento arquitetônico concebido pelo arquiteto italiano Tommaso Gaudencio Bezzi para marcar o lugar da Independência foi a primeira edificação em escala monumental feita em tijolos na cidade de São Paulo.

A obra teve início em 1885 e foi concluída em 1890. A inauguração se deu em 7 de setembro de 1895 como museu de História Natural e marco representativo da Independência do Brasil.

Em 1922, no período do Centenário da Independência, formaram-se novos acervos e foi executada a decoração interna do edifício, contando com pinturas e esculturas no Saguão, na Escadaria e no Salão Nobre que apresentassem a História do Brasil.

Quadro de Antonio Diogo da Silva Parreiras, 1893
Quadro de Antonio Diogo da Silva Parreiras, 1893 (Acervo do Museu Paulista)

Sua volumetria foi inspirada nos grandes edifícios acadêmicos europeus do século XIX, que, como o Reichstag berlinense e a Universidade de Viena, são compostos por um edifício horizontal inspirado nos palácios franceses do século XVIII, arrematado por torreões laterais.

“As trajetórias do Edifício-Monumento e do Museu Paulista (o Museu do Ipiranga) tornaram-se uma só por sua força simbólica no imaginário nacional. Mas elas têm origens distintas. A construção do Edifício-Monumento concretizou o ideal do Império de criar um marco comemorativo da Independência do Brasil na região do Ipiranga. Já o Museu Paulista, criado como Museu do Estado e formado a partir de uma coleção particular, foi instituído por decreto provincial em 1890, um ano depois de proclamada a República. Em 1893, o Museu do Estado teve seu nome alterado para Museu Paulista e o Monumento do Ypiranga foi declarado propriedade do Estado e destinado a abrigá-lo. Assim, duas iniciativas, uma imperial e outra republicana, passaram a coabitar em um mesmo espaço construído”, afirma a Revista Restauro.

Autor do projeto do Museu do Ipiranga, o engenheiro e arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi nasceu em Turim em 1844 e faleceu no Rio de Janeiro em 1915. Radicou-se no Brasil desde 1875, onde trabalhou para a Corte Imperial Portuguesa. Uma curiosidade de sua biografia: na adolescência foi voluntário nas campanhas de Giuseppe Garibaldi pela unificação italiana.

 

O vídeo, de agosto/2022, trata da montagem das exposições que vão reabrir o Edifício-Monumento. Também inclui detalhes sobre a produção dos materiais multissensoriais das mostras, e os artistas e artesãos que colaboraram para executar esse material. E encerra com informações sobre a instalação de luminárias, do piso de madeira no auditório e limpeza da área externa entre outros.

Clique no link para acessar a íntegra do artigo “A preparação do Museu do Ipiranga para o bicentenário da Independência em 2022”.

Saiba mais:
Cronograma do empreendimento
Vídeos da evolução das obras

Publicado em 05/09/2022
Fonte: CAU/BR

Publicação

05.09.2022

Escrito por:

Redação CAU/SP

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