Arquitetos e urbanistas alertam para destruição do patrimônio histórico – CAU/SP

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Arquitetos e urbanistas alertam para destruição do patrimônio histórico

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14.09.2018

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Redação CAU/SP

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Arquitetos e urbanistas alertam para destruição do patrimônio histórico

Arquitetos e urbanistas, pesquisadores, estudantes  e  professores  participaram na manhã de segunda-feira, 10/09, da abertura do Seminário Internacional “Gestão Inovadora de Bairros Históricos”. Durante dois dias (10 e 11/09), renomados especialistas brasileiros e internacionais debateram o tema na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista.

O encontro  foi organizado pela Comissão de Relações Internacionais do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), em co-realização com o CAU/SP e com o programa de pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo da FAU/Mackenzie, com apoio da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior) e o Instituto de Arquitetos do Brasil – São Paulo (IAB-SP). 
 
“As nossas cidades pedem socorro”, alertou Patrícia Luz, arquiteta e urbanista, vice-presidente do CAU/BR. Ela afirmou que a tragédia do Museu Nacional está na pauta entre os arquitetos e também entre os demais profissionais. “No tema gestão inovadora de bairros históricos estão assentados os fundamentos do respeito, da tolerância e de um desenvolvimento social e culturalmente equilibrado”, disse ela.

“O Código de Ética e e Disciplina do CAU/BR trouxe luz aos princípios éticos que devem nortear nossas ações no exercício da profissão. E é este código que nos diz que, devemos reconhecer, respeitar e defender as realizações arquitetônicas e urbanísticas como parte do patrimônio socioambiental e cultural e que devemos contribuir para o aprimoramento deste patrimônio”. 

Valorização da Arquitetura e do Patrimônio Histórico

Nadia Somekh, arquiteta e urbanista, conselheira federal do CAU/BR por São Paulo, disse que o papel do Conselho, com o objetivo de cumprir sua missão de servir a sociedade, deve ser não apenas fiscalizar, mas também promover ações de valorização da arquitetura e do patrimônio histórico.

“Temos que pensar também em possibilidades novas alternativas de trabalho para os arquitetos”, lembrou Nadia. Ela ressaltou o valor da mobilização social para a preservação do nosso patrimônio e por isso acredita que as instituições do setor precisam de reforço para cumprir seu papel. “A nossa sociedade tem que exigir a conservação da nossa memória”, disse.

“O seminário vai ajudar a pensar nos vários usos presentes do nosso patrimônio”, afirmou Maria Rita Amoroso, arquiteta e urbanista, coordenadora da Comissão Temporária de Patrimônio do CAU/SP. Segundo ela, os trabalhos nessa área precisam ter ainda a visão de buscar a inclusão social. “O nosso patrimônio cultural será preservado pelas boas práticas e processos técnicos e científicos”, pontuou.


 
Para o arquiteto e urbanista Fernando Márcio de Oliveira, coordenador da Comissão de Relações Internacionais do CAU/BR, o debate sobre o patrimônio precisa definir linhas de ação para alcançar resultados. 

“Esperamos alcançar bons resultados porque precisamos preservar nosso patrimônio”.  Ele lembrou também o trabalho que a CRI tem sido realizado para uma maior inserção da arquitetura brasileira no exterior,  “levando as boas práticas e todas as singularidades dos arquitetos e urbanistas brasileiros para outras nações”. Um outro eixo de trabalho busca trazer  as boas experiências internacionais para o Brasil.  
 
Nivaldo Vieira de Andrade Junior, arquiteto e urbanista, presidente do IAB Nacional, lembrou que a instituição tem atuado em várias frentes na busca da preservação do patrimônio histórico brasileiro, como no conselho consultivo do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). “Elaboramos ainda, junto com o CAU/BR, uma carta aberta aos candidatos à presidência que inclui o tema”, afirmou. 

Memórias apagadas em tragédias recentes
 
O vice-presidente do CAU/SP, o arquiteto e urbanista Valdir Bergamini, relembrou alguns episódios recentes de destruição do patrimônio histórico, a saber, o incêndio do Museu da Língua Portuguesa em 2015; o desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, em maio; ambos registrados na capital paulista; e a tragédia do Museu Nacional no Rio de Janeiro no último dia 02. “Nossos prédios históricos estão sendo, literalmente, tombados, e nossa história, nossa cultura, e nossas memórias apagadas para sempre”, disse.
 
“Com certeza, um dos graves problemas relacionados ao patrimônio é a falta de gestão”, analisou Angélica Benatti Alvim, arquiteta e urbanista, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie.  Segundo ela, o seminário pode contribuir para a formulação de políticas públicas que ajudem na preservação dos nossos bens históricos.
 
Paulo Batista Lopes, professor da Universidade Mackenzie, afirmou que o patrimônio cultural no Brasil e de seus cidadãos não foi devidamente cuidado. Por isso, ele disse que é oportuna a realização do seminário. “Precisamos recuperar nossa identidade cultural e o orgulho de ser brasileiro”, afirmou.
 
O reverendo Marcelo Coelho Almeida fez a abertura do evento lembrando a importância da memória, já que um dos trabalhos discutidos no encontro será o projeto Fábrica de Restauro, experimentalmente formulado para o bairro tombado do Bexiga.  Para finalizar sua participação, o reverendo citou uma passagem do profeta Jeremias, no Livro das Lamentações: “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança”.

 

Publicado em 14/09/2018
Da Redação

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14.09.2018

Escrito por:

Redação CAU/SP

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