Em evento histórico, profissionais debatem os desafios das arquitetas e arquitetos negros – CAU/SP

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Em evento histórico, profissionais debatem os desafios das arquitetas e arquitetos negros

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31.01.2023

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Redação CAU/SP

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Em evento histórico, profissionais debatem os desafios das arquitetas e arquitetos negros

“Por ter conhecimento das barreiras realmente existentes no mercado de trabalho, especialmente em áreas como medicina, direito e engenharia, membros de grupos minoritários sentem-se desestimulados a estudar e a competir por estas vagas nessas profissões, pois já internalizaram os estereótipos que compõem a visão média da sociedade acerca do desempenho deles.”¹

O diagnóstico do advogado Silvio de Almeida, atual ministro dos Direitos Humanos, aponta para um dos grandes temas que mobilizaram os participantes do II Encontro de Arquitetas (os) negras(os) de São Paulo neste último sábado (28): a falta de representatividade na profissão.

O prédio centenário do CAU/SP no Centro Histórico da capital sediou este debate inédito na história do Conselho, com foco nos obstáculos e desafios para inserção de negros no mercado de trabalho da Arquitetura e Urbanismo.

Os mais de 60 participantes desta roda de conversa relataram um drama comum: a ausência de negros na sala de aula e nos escritórios.  “A Arquitetura é branca”, pontuou o diretor de ação regional do IAB São Paulo, Lucas Chiconi Balteiro.

Também enfatizaram a importância dos poucos, mas fundamentais exemplos, de profissionais negros que desbravaram a academia e os campos de trabalho em Arquitetura e Urbanismo, inspirando assim os novos profissionais: “Ter a presença de uma pessoa preta abre espaço para outros, abre portas, é inspirador”, relatou João Carlos Ferreira, estudante do terceiro ano de graduação da Escola da Cidade.

Vários participantes mencionaram a importância das ações afirmativas para aumentar o contingente de profissionais negros. Camila Leal Costa, coordenadora da Comissão Temporária de Ações afirmativas do CAU/BR relatou algumas conquistas neste âmbito, a exemplo do desconto de 90% na anuidade para os profissionais recém-formados e que tenham cursado a faculdade pelo sistema de políticas afirmativas.

Na roda de conversa, vários profissionais também apontaram os esforços, ainda muito incipientes, das empresas de implementarem políticas de diversidade. Estas iniciativas, no entanto, ainda esbarram em preconceito e, novamente, na falta de representatividade, observaram. “Não tem arquiteto negro em cargo de poder no escritório”, comentou Sheroll Martins Silva, da Diretoria de Relações Institucionais e Parcerias do IABsp.

Como enfrentar este desafio? Muitos dos profissionais presentes responderam abrindo suas próprias empresas e contratando colegas negros. Thamires Mendes, do IAB, admite que dá “prioridade para contratar pessoas negras periféricas pelo sangue no olho”.

Mas os obstáculos para aumentar a presença dos profissionais negros no mercado de trabalho, na verdade, vêm muito antes da entrada na faculdade: como tantos enfatizaram, ingressar, frequentar e concluir uma graduação de Arquitetura e Urbanismo é uma empreitada de sacrifícios. Sandra Rufino, conselheira do CAU/SP, sintetizou a história de muitos ao compartilhar sua própria experiência: moradora de São Mateus, na periferia da zona leste paulistana, iniciou sua faculdade aos 32 anos, após a implantação de bolsas de estudos de ações afirmativas, inexistentes na época de sua juventude.

Os participantes ressaltaram a importância do CAU/SP instalar uma comissão permanente dedicada às questões de raça e diversidade, e dar continuar ao trabalho de congregar os profissionais negros.

O “II Encontro de Arquitetas e Arquitetos Negros de São Paulo” foi um evento conjunto do CAU/SP e do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IABsp).

Os organizadores desta roda de conversa pretendem promover regularmente este evento, em outros locais de reunião, para potencializar o debate.

(1) Almeida, Silvio Luiz de – Racismo Estrutural — São Paulo: Sueli Carneiro; Polén, 2019.

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31.01.2023

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Redação CAU/SP

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