
Em Ribeirão Preto, a pré-conferência do CAU/SP no último sábado, 09/05, reuniu profissionais locais e das cidades vizinhas de Franca, São João da Boa Vista, São Carlos e Araraquara para um dia de debates sobre políticas públicas, assistência técnica, sustentabilidade e os desafios de gestão de carreira.
A palestra magna, com os arquitetos e urbanistas Cesar Iwamizu e Francisco Fanucci, destacou a dimensão urbana da Arquitetura.
Este evento é uma das etapas preparatórias para a 3ª Conferência Estadual de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP, programada para os dias 07 e 08 de agosto (clique aqui para saber mais).
As próximas pré-conferências estão marcadas para Santo André (ABC paulista), no dia 16 de maio, e Campinas, no dia 30. (Clique aqui para conferir a programação e confirmar presença).
Aproximação com os arquitetos e entrega de serviços
O coordenador da Comissão de Relações Institucionais do CAU/SP, Rafael Ambrosio, salienta que estas pré-conferências são espaços vitais para coletar contribuições que moldarão as diretrizes do Conselho para os próximos anos.
“Nosso desejo é que, além das conferências trienais, possamos manter as pré-conferências como parte permanente desse conjunto de atividades de aproximação com os arquitetos”, afirmou.
Na abertura do evento, a presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo, reforçou a preocupação do Conselho em investir na entrega de serviços, a exemplo do oferecimento de cursos gratuitos de gestão, o lançamento dos projetos das “Casas de Arquitetura” dos “Polos Regionais”, além da iniciativa “ATHIS em Rede” (em parceria com a ONU-Habitat).
“Mais do que comunicar, queremos prestar contas dos recursos dos arquitetos e urbanistas e mostrar como eles vêm sendo investidos em projetos e ações concretas”, destacou.
Veja a cobertura fotográfica do evento na galeria de fotos (clique aqui)

Participação social: o conhecimento técnico para o bem comum
A palestra dedicada ao papel dos arquitetos nos conselhos participativos foi conduzida pelo conselheiro do CAU/SP, Maurílio Chiaretti, também diretor de relações sindicais e institucionais do SASP (Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo).
Relembrando a Constituição de 1988, ele defendeu a participação ativa da sociedade civil no acompanhamento dos orçamentos públicos. E que os profissionais devem ocupar espaços em conselhos de habitação, meio ambiente e cultura para garantir que o conhecimento técnico sirva ao bem comum.
Gestão e precificação inteligente
A oficina de precificação inteligente, a cargo do presidente do CAU/DF, Ricardo Meira, foi uma das mais concorridas do dia, atraindo especialmente estudantes e recém-formados.
A percepção geral entre os participantes foi de que o tema, embora vital para a sobrevivência no mercado, ainda é tratado de forma superficial nos cursos de graduação.
“A precificação é um ponto em que eu me perco bastante. Essa oficina me deu uma base importante e uma boa referência para o início da minha atuação própria”, disse Rodolfo Colonha. Recém-formado, ele relatou ter perdido clientes por não saber definir valores com segurança.

Patrimônio: recuperação e ocupação
A pré-conferência de Ribeirão Preto, a exemplo das edições anteriores, teve um painel de destaque para as questões de preservação e uso dos patrimônios locais, com a colaboração das arquitetas e urbanistas Letícia Viana, Tatiana Gaspar e Fabíola Xavier.
Tombado pelo município de Ribeirão e pelo estado de SP, o Edifício Diederichsen (1934-36), ícone art déco da cidade, foi o foco da apresentação das painelistas, que destacaram a proposta de ocupação e requalificação.
O projeto das arquitetas para esta obra foi contemplado num edital de fomento da Secretaria Estadual de Cultura, e prevê o retorno da ocupação integral do edifício, preservando seu valor cultural e suas características arquitetônicas, mas promovendo adaptações necessárias para garantir acessibilidade, segurança e conformidade com as normas vigentes.
A dimensão urbana da Arquitetura: toda a cidade é casa
Na palestra magna que encerrou a pré-conferência, e foi bastante concorrida, Cesar Shundi Iwamizu (FAUUSP e coletivo SIAA) e Francisco Fanucci (escritório Brasil Arquitetura) apresentaram trabalhos conscientes do entorno urbano e preocupados com preservação da memória.
Shundi Iwamizu destacou a Arquitetura em sua dimensão urbana: “a arquitetura não apenas como um edifício isolado”, mas em projetos arquitetônicos que “colaboram com a construção do espaço público da cidade”.
Ele comentou os projetos do FDE Jardim Umuarama (São Paulo,SP) — escola pública com estrutura pré-fabricada em um terreno com grande desnível –; do Território Céu Parque do Carmo (São Paulo,SP), uma parceria com Helena Ayoub; e do Sesc Franca (Franca,SP), em parceria com o escritório Apiacás. Neste trabalho, vencedor de prêmio APCA 2025, o foco foi criar um pátio interno, e utilizar os vazios e circulações para estabelecer conexões com o entorno.
Inspirado pela reflexão do filósofo Martin Heidegger (1889-1976), Fanucci também abordou a relação entre arquitetura e a construção do espaço público. “Todos os lugares são casas, e portanto, toda a cidade é casa. (…) É incrível como essa ideia é grandiosa, importante, no sentido de dizer que ‘Arquitetura e cidades’ são a mesma coisa”, ponderou.
Em sua apresentação, destacou os projetos do Sesc Vale do Ribeira (Registro, SP), que envolveu a recuperação e transformação das antigas instalações da Companhia Ultramarina de Colonização; do Museu do Pão (Ilópolis, RS), com o restauro de antigos moinhos na região; e do Engenho Central (Piracicaba, SP), que trouxe a proposta de integrar o patrimônio histórico da cidade à dinâmica urbana atual.
