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CAU/SP debate ética e cidadania na Conferência Nacional de Arquitetos

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07.05.2014

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CAU/SP debate ética e cidadania na Conferência Nacional de Arquitetos

Conferência Nacional de Arquitetura - debate ética e cidadania
Paulo Markun, Márcia Tiburi e Luciano Guimarães

O CAU/SP participou, na quinta-feira (24/04), do debate “Ética Profissional e Cidadania”, durante a 1ª Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo, em Fortaleza/CE.

O Presidente do CAU/CE, Luciano Guimarães, que mediou o debate, abriu a mesa analisando o papel do novo Código de Ética da profissão na defesa da sociedade contra os maus profissionais e ressaltou a importância de se ouvir gente de fora da área, como os dois palestrantes: o jornalista Paulo Markun, Ex-Presidente da Fundação Padre Anchieta,  e a filósofa Márcia Tiburi, Professora de pós-graduação na Universidade Mackenzie.

A filósofa iniciou sua exposição apresentando as implicações de uma categoria profissional ter um Código de Ética. “Esse já é um problema ético, porque não podemos obrigar ninguém a ter uma postura ética. O mundo não vai se resolver só ao exigirmos ética, porque é um conceito subjetivo, valoroso, de dentro de cada um”. Segundo ela, é preciso diferenciar categorias como a ética, valor individual, e a moral, uma “postura combinada” em um determinado grupo.

Para Tiburi, é essencial que o ser humano saia do senso-comum, facilitando o comportamento ético. “Por ética é tão difícil? Temos que ajudar a construir uma nova mentalidade no brasileiro. O senso-comum é o lugar da nossa ignorância. É construído pela publicidade, pela religião. Temos que pensar o lugar da ética na vida, como prática”, disse ela. E finalizou: “Vocês, arquitetos e urbanistas que constroem o espaço, têm muita importância, são os filósofos concretos. Ou fascista concretos. A ética nunca está pronta, é um trabalho de Penélope: fazendo e refazendo. Temos que construí-lo para que esse Código não morra na praia de Fortaleza”.

Já Markun contou suas histórias – algumas frustradas – de entrevistar o arquiteto Oscar Niemeyer e de como o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), João Batista Vilanova Artigas, o inspirou – assim como a outros inúmeros universitários – a lutar contra as injustiças sociais e a ditadura militar. Para definir ética, usou uma frase de outro jornalista, Cláudio Abramo: “a minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista – não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão”. E completou: “assim é com arquitetos e urbanistas, jornalistas e qualquer profissão. O arquiteto tem o papel de mudar a realidade devido a sua pretensão à multidisciplinaridade”.

Ética na profissão

O presidente do CAU/SP, Afonso Celso Celso Bueno, destacou que o debate sobre ética e cidadania é de extrema importância para os arquitetos e urbanistas. “Esse foi talvez o primeiro debate nacional realizado após a promulgação do nosso Código de Ética, porém muitos outros virão. Temos que ter consciência que a ética é fundamental, não somente no exercício da profissão, mas também nas nossas ações diárias”.

Para o Coordenador da Comissão de Ética e Disciplina do CAU/SP, Nilson Ghirardello, o debate foi muito rico, com posições diversas. “Houve a posição mais filosófica, menos comprometida com o dia a dia das comissões de ética ou dos processos éticos, e do outro lado, pontos de vista mais práticos”.

“A ética é fundamental para a constituição do nosso Conselho e o debate mostrou outra visões de outras áreas do conhecimento”, disse o conselheiro do CAU/SP Gilberto Belleza. “Isso mostra para nós, arquitetos, como a sociedade nos vê. Não temos o papel só da penalidade, mas do exercício consciente da profissão”.

Para o conselheiro Eduardo Brant, elaborar um Código de Ética pode se assemelhar mais a um “regimento de comportamento ou disciplinar” do que o sentido que os gregos deram a essa palavra: a busca pela felicidade. “Uniformizar e disciplinar a nossa profissão é uma grande coisa, mas os fundamentos verdadeiros da ética são de natureza muito íntima”.

O Conselheiro Mário Yoshinaga se perguntou: “quem cobra ética está cobrando de quem? É uma coisa subjetiva”. E refletiu: “o CAU tem pouco mais de dois anos de vida e uma série de assuntos profissionais acumulados de décadas e décadas, então é de se perguntar: um novo padrasto pode cobrar do filho adotado outro comportamento quando ele foi formado com outra família e paternidade? Nessa fase inicial, temos que ter cuidado, porque seriámos muito rígidos, desconsiderando a qualificação e a formação do profissional”.

Por Roney Rodrigues e Sandra Cruz, de Fortaleza/CE

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07.05.2014

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Redação CAU/SP

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